Dívidas. Você pensa como rico ou como pobre?

DívidasPorque o brasileiro gosta tanto de ter um carnê da grossura do polegar pra pagar?

Eu perdi a conta de quantas vezes vi colegas e amigos falando, em tom de orgulho, enquanto erguiam aquele bloco grosso de boletos de financiamento: "Está achando ruim pagar suas contas? Isso não é nada!!! Olha só o que me espera para os próximos 60 meses.".

Você leitor, se não tiver pelo menos um carnezinho pra pagar, que atire a primeira pedra. Cheque especial, financiamento de dívidas e cartão de crédito também vale.

São poucos, mas pouquíssimos que escapam dessa estatística brasileira.

Porque o endividamento não é saudável?

Apenas endividamentos com intenção de alavancagem é que poderiam colocar esta idéia de que as dívidas devem ser evitadas em cheque.

Alavancagem consiste em adquirir algo por intermédio de uma dívida no intuito de que isso possa lhe trazer retorno financeiro. Mas é importante salientar que este tipo de dívida prevê que os juros e taxas pagos são inferiores ao retorno esperado. Se sua dívida estiver considerando isto, somado a um controle de custos e riscos, podemos dizer que ela é saudável.

Veja bem, não confunda uma compra, feita por impulso consumista, com uma aquisição empreendedora!

O que se percebe é que a grande maioria dos brasileiros não se endivida pensando em alavancar um negócio ou uma fonte de renda, mas sim, para satisfazer suas necessidades consumistas. Desejamos ter tudo o que os ricos têm e, se temos crédito, é isso que fazemos.

A classe média brasileira é castigada porque deseja ser o que não é. Na verdade é ela mesmo que se castiga.

A maioria das pessoas de classe média quer ser como os ricos, mas não se comporta financeiramente como eles. Os ricos são ricos porque PENSAM como ricos e não porque CONSOMEM como ricos (e existe uma diferença grotesca aí). O grande consumo dos ricos é o efeito e não a causa da riqueza. E o que a classe média faz quando começa a receber um melhor salário? Compra uma casa com piscina, um carro do ano, casa de praia, etc., então, compromete seu novo salário até onde for possível com aqueles blocos de prestação de 10 cm de espessura.

Porque agimos assim? Acho que Freud, ou alguém desse meio, deve explicar.

É uma necessidade que temos de estar sempre por cima, ou no mínimo no mesmo nível das classes mais favorecidas. Sentimos necessidade de TER porque isso nos dá uma sensação de que SOMOS melhores.

O que eu acho mais engraçado é o seguinte, ficamos apontando para aquele vizinho que se endividou para comprar o carro e agora não tem dinheiro para encher o tanque, ou pagar o imposto, mas, quando nós temos a oportunidade, fazemos exatamente a mesma coisa.

Os ricos não fazem dívidas sem medir os riscos e sem considerar os lucros com o que está sendo adquirido em função da dívida. Os ricos não compram simplesmente pensando em ter, compram pensando em ganhar. Os ricos fazem o dinheiro trabalhar para eles, ao invés de eles trabalharem para o dinheiro.

Mas vejam, não estou dizendo que os ricos não consomem futilidades e que tudo o que gastam é pensando em lucro. Eles podem consumir, porque as futilidades são CONQUISTADAS pelo LUCRO que obtiveram, e não o contrário.

Para os casais

A história mostra que na grande maioria das vezes em que as dívidas indesejáveis são contraídas, a decisão não é tomada em conjunto pela família. Isso porque quando estamos sozinhos somos tendenciosos e procuramos satisfazer nossos desejos individuais.

Casais que decidem os objetivos e o orçamento da família em conjunto estão menos suscetíveis a endividar-se, desde que ambos estejam engajados em construir um futuro juntos.

Pense nisso. Ter uma boa condição financeira é muito mais uma questão de atitude do que sorte ou berço. Se você tem condições de pagar uma parcela, reverta isso em algum tipo de investimento que lhe dê retorno. Temos que fazer o melhor possível com o que temos, sempre procurando maximizar os recursos e não reduzí-los. Voltaremos a falar sobre isso em breve.

Abraços e até a próxima.

A relação com o dinheiro

Post bacana Ivan! Eu penso que um dos segredos para evitar as dívidas e prosperar financeiramente é conhecer que tipo de relação você tem com o dinheiro. Vejo que na maioria das pessoas, e eu me incluo nisso, a relação é emocional. O fator emocional nos leva a pensar como ricos ou pobres, como você disse.
Hoje me faço uma perguntinha simples a cada grande ou pequeno gasto: "Pra quê?". Se a resposta não vem rápida e honesta, dou uma volta, deixo para o outro dia e acabo percebendo se de fato devia ou não gastar. Funciona, mas tenho pensado que não é o bastante não se endividar, é preciso, como você já disse, fazer o dinheiro trabalhar a nosso favor.

Abraço, gaúcho.

Sim Melissa! Nosso emocional

Sim Melissa!

Nosso emocional nos leva a ignorar as conseqüências do que fazemos pelo prazer momentâneo do TER. Depois nos arrependemos, mas aí já fizemos a besteira.

E você tendo que tomar as decisões sozinha, precisa ter muito mais auto-controle, porque não há quem possa te trazer à realidade antes ceder ao impulso.

Quanto ao fazer o dinheiro trabalhar a nosso favor, vou explorar muito esse assunto por aqui...

Abraços.

n/d